top of page

Blog

Blog

Telas na infância: uma questão que ultrapassa a esfera familiar

  • Foto do escritor: Escola Semeador
    Escola Semeador
  • 2 de fev.
  • 2 min de leitura

O uso de telas na infância tem sido um dos temas mais debatidos por pais, educadores e profissionais da saúde. Em geral, a conversa gira em torno de limites, controle e escolhas familiares. No entanto, essa abordagem, embora importante, é incompleta. A relação das crianças com celulares, tablets e outros dispositivos digitais revela um problema estrutural mais profundo, diretamente ligado às políticas públicas voltadas à infância.

Telas na infância

A ausência de políticas públicas e o avanço das telas na infância

Em muitos territórios, especialmente nos contextos de maior vulnerabilidade social, a presença constante das telas no cotidiano infantil não nasce da permissividade, mas da falta de alternativas. A escassez de creches em tempo integral, a insuficiência de espaços públicos seguros, a ausência de atividades culturais e esportivas acessíveis e a fragilidade das redes de apoio familiar criam um cenário no qual o uso de dispositivos digitais se torna quase inevitável.

Quando políticas públicas falham em garantir cuidado, tempo e presença, a tecnologia ocupa esse vazio. O celular passa a funcionar como entretenimento, companhia e contenção — não por escolha consciente, mas por necessidade prática.



Por que culpar as famílias é um erro

Responsabilizar exclusivamente pais e mães pelo uso excessivo de telas é uma leitura simplista e, muitas vezes, injusta. Famílias sobrecarregadas, submetidas a longas jornadas de trabalho e com pouco suporte institucional, recorrem às telas como estratégia de sobrevivência cotidiana.

Essa realidade afeta de forma ainda mais intensa mulheres, mães solo e famílias periféricas, evidenciando que o problema das telas na infância também é um problema de desigualdade social.



Tecnologia não é vilã — mas não pode substituir a infância

É fundamental deixar claro: o debate não é sobre eliminar a tecnologia da vida das crianças. Recursos digitais podem contribuir para o aprendizado, o acesso à informação e a criatividade quando utilizados com mediação e propósito.

O risco surge quando as telas passam a substituir experiências essenciais da infância, como:

  • o brincar livre

  • o movimento corporal

  • a convivência com outras crianças

  • o contato com a natureza

  • a construção de vínculos afetivos

Nenhum aplicativo é capaz de substituir essas vivências.



Infância como prioridade coletiva

Discutir telas na infância é, acima de tudo, discutir prioridades sociais. Limitar tempo de tela é importante, mas insuficiente se não houver políticas públicas que garantam alternativas reais: creches, escolas em tempo integral, espaços comunitários, cultura, esporte e lazer.

Uma infância saudável não pode ser tratada como responsabilidade exclusiva da família. Ela exige compromisso do Estado e envolvimento da sociedade como um todo.

Enquanto essa compreensão não se traduzir em ações concretas, as telas continuarão ocupando um lugar que não deveria ser delas — não por escolha, mas por falta de opção.


Comentários


  • Whatsapp Semeador
bottom of page