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  • Escola Semeador

EDUCAÇÃO INFANTIL NA PANDEMIA, UM DESAFIO!!


Criança pintando em papel

Quando chegamos aqui e fincamos a nossa bandeira imaginária, o propósito era a criação de um espaço onde a criança seria a #protagonista, que viveria plenamente a sua primeira infância, com experimentações sensoriais nas aulas de culinária, na preparação de tintas para as produções artísticas, no manuseio de materiais com diferentes formatos, texturas e temperaturas; as #brincadeiras tradicionais, tais como, pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, pular corda, subir em árvores fariam parte do cotidiano e nos mostraria o quanto é divertido estar entre amigos e como são importantes as regras de convivência para que possamos estar em uma sociedade mais justa e democrática.


Nossa trilha sonora transitaria entre os clássicos do cancioneiro popular, as músicas infantis que embalaram muitas gerações, por exemplo,


Se essa rua fosse minha, eu mandava ladrilhar, com pedrinhas de brilhante para o João passar...,

também apresentaríamos para os pequenos alguns clássicos da nossa música popular brasileira… e o mais enriquecedor durante as vivências, estar sempre junto aos pares, tendo o adulto como mediador, um brincante nos momentos de apresentar as propostas e um parceiro nos momentos de resolução dos conflitos.


O que é muito importante acontecer, pois quando as diferenças se apresentam, a construção do conhecimento acontece. Quanto mais diversidade, maiores as chances de nos tornarmos melhores.


Para que os pequenos pudessem se lançar nessa grande aventura de passar algumas horas do dia em um lugar com uma estrutura e organização diferente de sua casa, de compartilhar espaços, brinquedos, a atenção dos adultos e descobrir o prazer de estar em companhia dos amigos, o lugar escolhido foi o pátio, ou melhor, os muitos metros quadrados divididos em gramado, areia, terra e pedrinhas.


Estes lugares sempre foram as salas de aula sem paredes, onde construímos conhecimentos e produzimos cultura, sempre em contato com a natureza. Além das árvores, flores, hortaliças, borboletas, joaninhas, minhocas e tatus bolinhas, também compartilhamos estes espaços com os sabiás e os bem-te-vis que regularmente nos visitam.



Um dos momentos mais divertidos é a brincadeira de esconde-esconde, quando um adulto e uma criança com menos de três anos escondem o rosto no tronco de uma árvore para contar até dez, enquanto o restante da turma se escondem aglomerados atrás de uma outra árvore ou embaixo do escorregador.


Quando são “encontrados”, a alegria é geral, manifestada com muito riso, correria e gargalhada. Sempre foram muitos os momentos de estarem todos juntos, os pátios são próximos, e mesmo a criança reconhecendo a sua turma e a proposta que a sua professora trouxe, ela poderia, se quisesse, participar da proposta dos amigos do pátio ao lado, ou simplesmente, brincar um pouquinho em outro brinquedo.


As relações interpessoais sempre foram uma prioridade, pois é junto com o outro, observando e imitando o outro, que nos constituímos como indivíduos, que construímos a nossa identidade.


A relação família e escola, foi sempre de muita proximidade e muita parceria, desde os primórdios que os pais, quando chegam com seus filhos, entram na escola para entregá-lo para a professora e informar como a criança está, se está bem, se dormiu ou comeu bem, enfim, uma conversa informal sobre o nosso(a) aluno(a), quando chega na escola e também no final do dia. São relações afetuosas que geralmente evoluem para uma amizade duradoura e sincera.


Adultos e crianças juntos para tirar foto

Os eventos e as festas da escola, são um capítulo à parte, sempre muito animados com músicas da melhor qualidade e comidas saborosas. As famílias sempre muito presentes e participantes. Sempre foi uma alegria receber, além dos pais, os tios, primos e avós para compartilhar desses momentos de descontração e perpetuação da nossa cultura popular.


O que foi descrito como prática docente, vivências infantis, encontros e parceria entre família e escola perdurou por doze anos e dois meses e meio, da inauguração da escola em dezembro de 2007 até meados de março de 2020, procuramos oferecer às nossas crianças uma escola, segundo sua etimologia, do latim “scholé”, lugar de ócio e prazer.


Então, eis que fomos surpreendidos com a #pandemia do #coronavírus, o #Sars-cov-2, vírus super poderoso, que, quando a pessoa é infectada pode desenvolver um quadro gripal muito grave capaz de levar a óbito. Em nosso país as escolas foram as primeiras a serem fechadas com o intuito de proteger as crianças desse mal desconhecido, o comércio, até então permaneceu aberto.


Em 23 de março de 2020 nos despedimos das crianças e suas famílias, acreditando que em quinze dias estaríamos de volta. Ledo engano! Com o passar do tempo outros espaços públicos, academias, teatros, cinemas, parques… Espaços considerados não essenciais, foram se fechando sem data prévia de retorno.


Os casos de covid-19 aumentando de forma exponencial, os casos de óbitos também aumentando muito. E a pergunta que constantemente fazíamos, “e a nossa Educação Infantil?”. O modelo de educação que acreditamos para os primeiros anos de vida, para os recém chegados a este mundo não cabia dentro do molde “à distância” ou “on line”.



Professora Maria Eduarda entregando sacola para aluna

A princípio preparamos sacolas especiais com materiais que costumamos oferecer aos pequenos aqui na escola e entregamos, com toda segurança que o protocolo exige, em suas casas. Achamos insuficiente. Mesmo relutantes, fizemos vídeo chamadas, mas estávamos indo contra a nossa essência, a nossa identidade, pois não costumamos oferecer telas midiáticas para as crianças, somos consumidores de livros.


Então, adotamos a prática de produção de sacolas com surpresas para acessar a memória dos bons tempos idos, de brincar junto, da coletividade e o prazer da boa companhia. A retirada das sacolas foi no modelo drive-thru. Para nós, adeptos do contato físico, ainda era pouco. Depois vieram as oficinas com número reduzido de crianças e os protocolos de segurança sanitária, uso constante de máscaras, distanciamento social e higienização sistemática das mãos.


Todavia, com autorizações e desautorizações de aberturas das escolas, estamos vivendo um tempo de muitos desafios, para os adultos brincantes, cantadores, contadores de histórias e aventureiros no universo infantil, o uso de máscara, apesar de seguro, limita a expressão facial apenas no olhar, os abraços são lembranças e as beijocas nas bochechas rosadas são saudades.



Quatro criança empilhando círculos de madeira

Para as crianças, a princípio, acreditamos que seria muito difícil mantê-los usando máscaras em período integral, podendo retirar somente durante as refeições e colocar outras limpas logo em seguida. Para estes, somente pelo fato de estar entre os amigos, vale o incômodo do uso da #máscara.


Para as famílias, que costumavam entrar na escola, observar seus filhos encontrando e abraçando os seus amigos, hoje precisam deixá-los no portão e confiar. E geralmente confiam.




Com o processo de vacinação chegando até aos profissionais da educação básica, a esperança de dias melhores surge de forma vibrante nos corações, e nas mentes inquietas a possibilidade de um possível “novo normal”.


Com a perspectiva de uma boa cobertura vacinal, surge também a possibilidade de planejar encontros e celebrações, uma esperança que chega como um vento trazendo boas novas que faz tremular a bandeira que outrora foi fincada nesse lugar, onde se vive muitas alegrias e onde muitas memórias são construídas.





Nina - Orientadora Pedagógica


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